Tudo em nome do Filho

“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá”. (Jo 15, 16)

A via para chegar a Deus é por meio do Filho, amai-vos uns aos outros, Ele nos diz. Analisando as leituras, muitas palavras nos saltam aos olhos e nos motivam. Todas elas têm a mesma importância: batismo, salvação, Espírito Santo, comunidade, Palavra de Deus.

Tudo o que Jesus fez, sem exceção, foi para nos revelar a relação dele com Deus Pai. Na mesma dimensão estamos nós e o Redentor, quando Ele nos fala a respeito da nossa própria relação com Ele. Seguimos Deus no Filho, a nossa relação com Deus é visualizada no Filho. Tudo é em nome dEle.

Para entendermos a Primeira Leitura, precisamos retomar e compreender o contexto. Cornélio era um pagão, e também era um homem rico e importante. Reuniu sua família e amigos para rezar em casa; eles rezavam há quatro dias, e Deus atendeu suas preces. Enquanto isso, Simão Pedro também rezava e vislumbrou um lençol que descia do céu e vários animais considerados impuros. Na visão de Pedro, uma voz ordenava para que ele consumisse tais animais; ele relutou, mas a voz afirmava: “Não chame de impuro aquilo que é criação de Deus”.

Cornélio ordenou seus homens, mandou chamar Pedro para ir à sua casa, pois Cornélio era judeu e centurião, e por causa da discriminação ele não podia ter contato com um cristão. Pedro dirige-se até a casa de Cornélio. O diálogo de Pedro e Cornélio é sobre Deus e a acepção das pessoas. Ou seja, a forma como Deus trata as pessoas: Ele aceita quem O teme e pratica a justiça.

Enquanto Pedro falava, o Espírito Santo desceu sobre os que ouviam a Palavra, todos foram batizados e acolheram a Salvação. Cornélio foi o primeiro pagão a se converter ao cristianismo. A Salvação é dada para todos, não importa quem seja, contanto que a Palavra seja acolhida no coração.

Nessa história, Pedro representa a Igreja, a comunidade. E os pagãos precisaram dela para ter uma confirmação. Pedro mandou buscar água, não podia negá-los o Batismo em Jesus Cristo. Ser batizado significa fazer parte da Igreja e da comunidade, ter vivência na comunidade, pertencer à barca de Pedro. Portanto, a proposta de Deus é que a Salvação chegue a todos, sem exceção.

Damos o nosso sim à Salvação no Batismo, mas precisamos renová-lo constantemente. O “sim” é coletivo, pois dessa forma também ajudamos uns aos outros. Hoje a salvação só não chega para aqueles que se fecham no orgulho, na autossuficiência, se fecham para as coisas e para o amor de Deus. Ele é amor, não um amor de mimos, mas um amor ágape. O fruto desse “sim” dito a Jesus Cristo é o amor. Ninguém pode dizer que ama a Deus sem amar Jesus Cristo. Ninguém pode dizer que ama o irmão sem amar a Igreja e a comunidade.

A principal atividade do cristão é amar, e permanecer no amor de Cristo. Mas como permanecer no amor de Deus hoje? Para permanecer no amor de Deus em tempos difíceis devemos guardar os mandamentos que Ele nos deu.

Jesus deixou o amor como testamento. Em sua despedida Ele dá um salto e fala isso em uma linguagem diferente: os amigos são aqueles que irão transmitir e viver esse amor. Amigo é aquele que se identifica e guarda a alma do outro. Na raiz de “amigo” tem a raiz do amar. Amigo não é colega, amigo tem a mesma missão. Quando chamo alguém de amigo, abro com ele uma relação de igualdade.

“Quem encontra um amigo encontra um tesouro”, e o Senhor agora nos chama de amigos. O que podemos pedir ao Pai em nome de Jesus? Ou melhor, o que podemos pedir para um amigo? Peçamos a capacidade de amar.

Leituras:
Primeira Leitura (At 10,25-26.34-35.44-48)
Responsório (Sl 97)
Segunda Leitura (1Jo 4,7-10)

Evangelho (Jo 15,9-17)

Homilia do Pe. Reginaldo Albuquerque, pároco
Síntese por: Henrik Cecílio/Pascom
Foto: Camila Soares/Pascom

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