O autor do livro de Daniel é um fiel à cultura e os valores religiosos dos antepassados. Ele mostra que a fidelidade aos valores e à tradição será recompensada por Deus. “Felizes aqueles que perseverarem até o fim”. Muitos naquele contexto já não viviam conforme à vontade de Deus. Não vivendo os valores, criou-se uma divisão e por causa dela o autor chama o povo à fidelidade a Deus. Daniel pede para que valorizem as culturas, desde que delas não se tire Deus; fala para não se deixarem vencer, contaminar por concepções culturais, tradições pagãs, superstições.

A Liturgia reforça que Deus está ao nosso lado, como bem diz o Salmo (15). Se Ele permite que algo nos aconteça, é somente para nos ensinar na nossa liberdade. E nos mostra que Deus irá intervir na humanidade. “Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus” (Mc 13,27). Virá Miguel, o chefe celestial, que irá nos defender e combater conosco, e muitos despertarão. A Palavra não diz “todos”, porque muitos preferem continuar cegos, surdos e mudos e, então, abertos ao demônio.

Enquanto isso, precisamos ser fieis à Igreja, que é corpo de Cristo. O demônio quer destruir tudo isso, mas devemos viver como filhos batizados de Deus. É a partir do batismo que posso dizer: sou evangelizado. Como ensina São Paulo VI, Papa, quem nega a existência do demônio, não faz parte da fé cristã.

A Carta aos Hebreus é um escrito destinado aos cristãos, aos batizados. O autor apresenta o mistério de Cristo, que tem a missão de retomar a comunhão da humanidade com Deus. A carta é um chamado para o comprometimento com Cristo, libertando-se do pecado, da cultura da pagã. Chama a dar uma resposta a Deus com coerência com o que se crê, a valorizar o sacrifício de Cristo, que nos resgatou do inimigo. E exorta que o pecado impede a comunhão com Deus.

Santo Agostinho diz que “o demônio é como o cachorro amarrado à corrente; e o pecado enlarguece a corrente”. Os sacramentos diminuem a corrente do mau, a enfraquece. O batismo, o primeiro Sacramento, é a força de Deus dada a homens e mulheres para que a corrente não se alargue.

Jesus sabe bem que seus seguidores enfrentarão muitas perseguições, mas Ele os anima na perseverança e na vigilância, que são caminhos fundamentais para os que querem viver com Ele eternamente. Nós, batizados, aguardamos confiantes e abertos às vontades e valores de Deus. Ignorar os projetos de Deus é viver como quer.

O cristão precisa abrir-se a Deus e às suas coisas, à sua Palavra, à sua Igreja, aos sacramentos, pois sabe viver como crer e crer como vive; sabe que céu e terra passarão, mas que a Palavra de Deus não passará e instruirá o seu povo.

Liturgia da Palavra:
1ª Leitura – Dn 12,1-3
Salmo – Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)
2ª Leitura – Hb 10,11-14.18
Evangelho – Mc 13,24-32

Homilia do Pe. Reginaldo Albuquerque, pároco
Síntese por: Camila Soares/Pascom
Foto: Camila Soares (batismo de Henrik Cecílio e Kátia Marinho durante a Santa Missa)

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