A vinda do Rei

Chamava-se advento o momento em que o rei se preparava para fazer uma visita a determinada região do seu reino. Então, os povoados e comunidades por onde o rei iria passar deveriam se preparar bem para a sua chegada. Para nós, hoje, o Advento também é uma preparação, mas para a vinda do Salvador. Esta preparação não é meramente externa, apesar de ornarmos as ruas das cidades e as casas. Mas, sobretudo, a preparação deve acontecer no nosso interior, para tirar a insensibilidade do nosso coração.

A Igreja nos ensina que existem três vindas do Nosso Senhor. “A primeira vinda já aconteceu há mais de dois mil anos atrás, quando o Cristo se encarnou. A segunda vinda é presente, ela é intermediária entre a primeira e a terceira vinda; acontece todos os dias, através dos sacramentos, sobretudo através da Eucaristia e da Confissão. A terceira vinda é o maior desafio para quem professa a Fé Santíssima: é a vinda definitiva no fim dos tempos, quando Jesus se assentará no trono de glória para julgar a humanidade”.

Este Tempo Litúrgico que se inicia tem presente as três vindas: a primeira vinda revestida pela fraqueza humana; a segunda, pelo Mistério; e a terceira vinda pela glória de Deus. O Advento é um tempo que exige especialmente o preparo espiritual, como uma ponte que devemos atravessar para abraçar o Rei, como uma casa que exige cuidados prévios; e requer humildade para bem acolhê-Lo, pois somos nós quem mais precisamos dessa visita.

A Igreja nos ensina como atravessar a ponte, como preparar a casa para a visita do Rei. Simbolicamente, este Tempo Litúrgico nos apresenta as seguintes cores: o roxo, que remete à vigilância; o verde à esperança; o vermelho à conversão; o branco à pobreza. Eis os cinco pilares do Advento.

A liturgia nos ensina como viver a vigilância. Pois, quem vigia tem um objetivo, e os cristãos verdadeiros sabem e o conhecem. Na Primeira Leitura, o profeta Jeremias revela o rebento que virá de Davi para instaurar justiça e paz; um novo rei que nos dá a oportunidade de preparar-nos. Por isso, é importante estar atento aos sinais. Muitas vezes mergulhamos naquilo que equivocadamente chamados de “magia do Natal”, mas não mergulhamos no Mistério do Natal. Mergulhar no Mistério do Natal é mergulhar com Jesus, e receber Dele o único presente que nos leva à vida plena.

São Paulo nos exorta e nos convida a receber a vinda de Jesus praticando a caridade. Ele afirma que é na caridade que Deus se faz presente. Logo, é preciso avivar a verdadeira caridade que nos foi ensinada pela Igreja, que não é uma simples troca, ou um comércio. A verdadeira caridade é gratuita. Quando há progresso na caridade e no amor, também há progresso no conhecimento de Deus.

Jesus no Evangelho diz que haverá sinais, e aqueles que estiverem vigilantes saberão identificá-los. Aqueles que vigiam sabem discernir os sinais, não se amedrontam com a chegada do Rei, não possuem o coração insensível e não se deixam levar pela embriaguez e pelas preocupações, não caem em armadilhas, e, por fim, estão de cabeça erguida com forças para escapar de tudo que seja contrário à vontade de Deus.

O Natal é o primeiro passo dado de um caminho que se iniciou na Encarnação e findará na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura (Jr 33,14-16)
Responsório (Sl 24)
Segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2)
Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)

 Homilia do Padre Reginaldo Albuquerque, pároco
Síntese por Henrik Cecílio/Pascom

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