Nossa primeira vocação é a vida em Cristo

A Liturgia de hoje nos faz refletir sobre a nossa vocação. Somos todos de Deus e Dele recebemos uma missão para o mundo. Qual seria essa nossa vocação? Qual é essa vocação para o mundo? É a vocação primeira, donde parte todas as outras. É a vocação universal para a qual todos somos chamados. A partir da Palavra de Deus, vamos entender qual é essa vocação.

Adentremos na Primeira Leitura do Profeta Isaías, onde vemos um homem sensível aos apelos de Deus. Eu penso como é importante que pessoas hoje, neste mundo, sejam sensíveis aos apelos de Deus. O monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro [fundador da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade] foi tão sensível que vocês, irmãs consagradas jubilares, são frutos da manifestação de Deus. A Irmã Benigna Victima de Jesus, também sensível aos apelos de Deus, acusada como comunista, resistiu; e hoje rezamos pela beatificação dos dois. Só o projeto de Deus pode libertar o homem.

A partir desta Liturgia, vemos Isaías aceitar a missão. Ele “desenha” a onipotência de Deus. Depois de ver sua soberania, sua infinita grandeza, bondade e misericórdia, o pecador diz: “Ai de mim, estou perdido!”. É uma reflexão que ele faz diante da grandeza infinita de Deus. Quem não fizer essa reflexão não consegue ser sensível aos apelos de Deus, porque se acha superior e capaz de tudo, por si mesmo.

O próprio Deus se encarna e vem ao nosso encontro para nos resgatar da nossa impureza. Ele vem ao nosso encontro para nos capacitar e nos fazer sensível aos seus apelos porque Ele quer precisar de nós no mundo. O pecado nos impede de responder à vontade de Deus. O que faremos depois de experimentarmos Deus? O profeta ouviu a voz do Senhor: “Quem enviarei? Quem irá por nós?”. O profeta responde: “Aqui estou! Envia-me”. Esta é uma mensagem teológica de alguém que faz uma experiência interior, de chamado. A vocação é obra de Deus. É Ele quem nos chama. Mas diante do chamado pode haver objeção, por causa do pecado, da impureza, do limite humano. Deus chama, e chamando Ele capacita. Nos dando coragem, Ele nos dá autoridade. Uma autoridade que vem de Deus.

Isaías se oferece mesmo sem saber da sua missão. Cada um de nós tem uma história onde Deus quer entrar e nos capacitar. Nossa história não pode ser um empecilho para nos lançarmos nos caminhos do Senhor.

Paulo também recebe um chamado e vai às últimas consequências, para resgatar a humanidade, para que ela volte a sentir os apelos de Deus. Aqui, na Segunda Leitura, recordamos que pela morte de Cristo, fomos purificados e chamados à vida nova. Nossa primeira vocação é a vida em Cristo. É desta vocação que a Liturgia fala. Onde começa esta vocação? Começa no Batismo. É por meio dele que recebo a vida nova em Cristo e na Crisma eu confirmo, pelo Espírito Santo, essa vida nova, e na Eucaristia eu alimento a vida nova que recebi. A partir disso, vem a vida sacerdotal, a vida religiosa, a vida familiar. O que responde ao chamado, vive a vida em Deus. “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Pedro também se sente impuro, pecador. Jesus diz “não tenhas medo”. Então, Pedro se lança no mar. Como viver esta vida nova, que é constante em nós? Sendo cristãos, permanecendo com Jesus no mesmo barco. O barco é a Igreja, a comunidade. Essa vida nova é escutar a proposta de dizer e fazer o que Ele diz, lançar as redes, como Pedro fez, e reconhecer Jesus como o Senhor.

Como reconheço Jesus me afastando Dele? São tantas vozes no mundo, nas tentações, nas perseguições. Viver a vida nova é aceitar a missão que Jesus propõe. Eu descobri que a vocação é a vida nova. E qual é a missão? A missão é ser pescador. Para entender essa missão é preciso entender o que significa mar. O mar era conhecido como um lugar tenebroso, onde habitavam monstros. Dizer que somos pescadores, significa que cada cristão que vive essa vida nova tem a missão de pescar todos aqueles que vivem no mar de pecado, de miséria, de pobreza. Em cada batizado nasce uma nova vida e a missão é pescar homens e mulheres para Deus.

Viver essa vida nova é deixar tudo e seguir Jesus. A generosidade é o dom total de quem segue a Cristo. “De graça recebeis, de graça deveis dar” (Mt 10,8). Não podemos esquecer que a comunidade cristã reconhece Pedro como vigário de Cristo, o principal animador desse barco de Jesus. Onde estiver um cristão, lá estará a barca que espera só em Deus, e que sabe que Ele voltará.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura (Is 6,1-2a.3-8)
Responsório (Sl 137)
Segunda Leitura (1Cor 15,3-8.11)
Anúncio do Evangelho (Lc 5,1-11)

Homilia do Padre Reginaldo Albuquerque, pároco
Síntese por Camila Soares/Pascom

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